Maria Ferreira · Corretora de planos de saúde no Rio de Janeiro
Vou começar sendo honesta com você: não vou colocar aqui uma tabela de preços.
Não porque seja segredo. É porque toda tabela genérica que você encontra na internet está errada para o seu caso — e, na prática, serve só para gerar frustração quando chega a cotação de verdade.
O que eu posso fazer, e é mais útil, é te mostrar exatamente o que faz o preço subir ou descer. Com isso você consegue estimar sozinho a sua faixa, e principalmente consegue enxergar quando uma proposta está fora do lugar.
Os cinco fatores que definem o valor
1. Idade — e não é uma escala suave
Este é o fator mais pesado, de longe. A ANS divide os preços em 10 faixas etárias, e o valor muda em cada virada:
0-18 · 19-23 · 24-28 · 29-33 · 34-38 · 39-43 · 44-48 · 49-53 · 54-58 · 59+
Repare que as faixas ficam mais curtas conforme a idade sobe. Entre 44 e 58 anos, o preço reajusta a cada quatro anos.
Existe um limite legal: a última faixa não pode custar mais de seis vezes a primeira, e o aumento acumulado da 7ª à 10ª faixa não pode ser maior que o acumulado da 1ª à 7ª. Isso vale para contratos a partir de 2004 (Resolução Normativa 63/2003 da ANS).
Na prática, o que isso significa: entrar aos 57 é bem diferente de entrar aos 60. Quem está chegando perto de uma virada de faixa deveria fazer as contas antes, não depois.
2. Como você contrata
O mesmo plano, com a mesma rede, custa diferente dependendo da porta de entrada:
- Individual ou familiar — o reajuste anual é limitado por um teto que a ANS publica todo ano. É a modalidade mais protegida. É também a que menos operadora vende hoje, e por isso costuma ter o preço de entrada mais alto.
- Empresarial ou por CNPJ — preço de entrada geralmente menor. Em compensação, o reajuste anual não tem teto da ANS: é negociado entre a operadora e a empresa.
- Coletivo por adesão — via sindicato ou associação de classe. Fica no meio do caminho, e depende de você pertencer à categoria.
Esse é o trade-off que quase ninguém explica: você troca previsibilidade futura por economia hoje. Não existe resposta certa — existe a resposta certa para o seu caso.
3. Abrangência e acomodação
Abrangência é onde o plano te atende: só no município, no estado, ou no Brasil inteiro. Um plano nacional custa mais — e faz sentido para quem viaja a trabalho, e faz pouco sentido para quem não sai do Rio.
Acomodação é enfermaria ou apartamento em caso de internação. A diferença entre as duas costuma ser relevante no boleto.
4. Coparticipação
Você paga uma mensalidade menor e, em troca, paga uma parte de cada consulta ou exame que usar.
Compensa para quem usa pouco. Não compensa para quem faz acompanhamento contínuo, tem filho pequeno ou trata alguma condição crônica — nesses casos, a economia da mensalidade some no uso.
Antes de fechar um plano com coparticipação, vale olhar quantas consultas e exames a família fez no último ano. É uma conta que leva dez minutos e evita arrependimento.
5. Rede credenciada
Este é o fator que mais gente esquece de olhar e mais gente reclama depois.
Dentro da mesma operadora existem vários planos, com redes diferentes. O hospital que você quer pode estar no plano de cima e não estar no de baixo — e a diferença de preço entre os dois vem justamente daí.
Não adianta comparar dois planos só pelo valor sem comparar a rede. É comparar coisas diferentes.
Por que duas cotações do mesmo perfil vêm tão diferentes
Se você pediu orçamento em três lugares e recebeu valores muito distantes, quase sempre é por um destes motivos:
- Uma cotação é com coparticipação e a outra não
- Uma é enfermaria e a outra apartamento
- Uma é abrangência estadual e a outra nacional
- As redes credenciadas são diferentes
- Uma é individual e a outra empresarial
Ou seja: você não recebeu três preços para a mesma coisa. Recebeu três coisas diferentes.
Como pedir uma cotação que dê para comparar
Peça sempre com os mesmos parâmetros definidos:
- Idade de cada pessoa que vai entrar no plano
- Enfermaria ou apartamento
- Com ou sem coparticipação
- Abrangência: município, estado ou nacional
- Os hospitais e laboratórios que você não abre mão
Com esses cinco itens fixos, aí sim os números viram comparação.
O que eu faço
Trabalho com planos de saúde no Rio de Janeiro há 30 anos. Quando alguém me procura, a primeira coisa que eu faço não é mandar preço — é entender quem vai usar, com que frequência e quais médicos não podem ser perdidos.
Só depois disso o número faz sentido.
Se você quiser, me manda as idades e a região onde mora, e eu monto o comparativo entre as operadoras que atendem o seu perfil. É gratuito, e se o que você já tem for melhor do que eu consigo oferecer, eu falo isso na cara.
Regras de faixa etária conforme a Resolução Normativa 63/2003 da ANS, válidas para contratos firmados a partir de 2004. Valores e redes variam por operadora e por plano — confirme as condições antes de contratar.
Maria Ferreira — corretora de planos de saúde no Rio de Janeiro há 30 anos. Consultoria gratuita, sem compromisso.
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Maria Ferreira · Corretora de Planos de Saúde · Rio de Janeiro · RJ · CNPJ 14.904.786/0001-86